Chasing the flame

Há alguns meses atrás, quando eu estava nos Estados Unidos, tive a oportunidade de ler, na Barnes and Noble, a biografia política de Sérgio Vieira de Melo recentemente lançado por Samantha Power. Os relatos detalhados demonstram a profundidade da pesquisa elaborada pela jornalista irlandesa e o seu afinco em produzir uma obra singular sobre um homem tão especial e poderoso. A narrativa percorre desde as suas atividades estudantis na Sorbonne, onde o jovem Sérgio estudou filosofia, no conturbado final da década de 60, sua participação no Maio de 68 e sua posterior entrada na ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), por influência de seu pai, o diplomata Arnaldo Vieira de Melo.

A natureza multinacional de Sérgio nasce da sua própria condição de filho de diplomata. Ainda criança, foi obrigado a residir em diversos países, ficando sempre muito pouco tempo em contato com o Brasil. Revoltou-se quando seu pai foi aposentado compulsóriamente por divergir do governo militar  instalado em 1964. Ao entrar na ACNUR, como o mais jovem da história da organização, trabalhou em Bangladesh com o que costumava chamar jocosamente de ”delivery groceries”, entrega de doces, aos famintos das áreas de guerras. Já naquele momento, o jovem Sérgio demonstrava suas ganas por influenciar mais poderosamente o ambiente político em que estava inserido.

Sérgio Vieira de Melo viveu toda a sua vida trabalhando pelos Refugiados e pelos Direitos Humanos no seio das Nações Unidas. Teve que lidar com genocídas, extremístas e corruptos em áreas de conflito político, como Sudão, Chipre, Moçambique, Perú, Camboja, Somália, Bósnia, Timor Leste e finalmente Iraque. Finalmente no Iraque, em 2003, pôs-se termo à vida de um homem que se tornou um brasileiro por uma escolha racional, um homem cuja identidade multinacional colocava culturas, línguas e raças em pé de igualdade e, numa situação de inferioridade em relação à condição meramente humana dos povos.

A leitura do livro de Samantha Power é essencial não só para os estudiosos das relações internacionais ou para os admiradores de Sérgio Vieira de Melo, mas para todos que pretendem conhecer um exemplo de liderança apaixonada e perfeccionista, que pensa enquanto fala e aprende enquanto vive.

Veja uma entrevista com a autora abaixo:


 

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