A Cúpula da América Latina e Caribe em Salvador

BAHIA / CÚPULA / AMÉRICA LATINA E CARIBE

O encontro da Cúpula da América Latina e Caribe (CLAC), que reuniu 33 chefes de Estado do continente na cidade do Salvador ecoou fortemente em jornais de todo o mundo. Entre os pontos de maior relevância estão a reintegração de Cuba e o isolamento dos Estados Unidos na política hemisférica. Além da CLAC, a capital baiana recebeu diversas outras reuniões e encontros de blocos e fora sub-regionais agendados entre países e movimentos sociais. Um exemplo deles foi a Cúpula Social do MERCOSUL, realizada entre os dias 15 e 17 e contou com diversos representantes dos movimentos sociais de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Equador, Venezuela e outros. Tal iniciativa, concretizada dias antes da Reunião dos chefes de Estado do MERCOSUL, da UNASUL e da América Latina, tinha por escopo a coordenação entre as decisões dos Estados participantes e os anseios dos movimentos sociais organizados.

No discurso de encerramento, o Secretário-Geral da Presidência da República, Luiz Dulci reiterou a importância da continuidade deste diálogo entre os movimentos sociais e os governos progressistas da região e defendeu a imediata aprovação da entrada da Venezuela no bloco. Defendeu também a necessidade de se acelerar o processo de integração nesse momento conjuntural favorável, de maneira democrática e participativa, de forma a tornar o processo um caminho sem volta, ou seja, que não possa ser interrompido por um retorno eventual de políticas monetaristas ou conservadoras na região.

A Cúpula Social do MERCOSUL foi complementada pela Cúpula dos Povos do Sul, que aconteceu um dia antes no Centro de Convenções da Bahia e também contou com a presença de inúmeros atores não estatais. Ambas as Cúpulas, além de debater os problemas sociais da América do Sul e pautar o debate no sentido da valorização do processo integracionista, redigiram e entregaram documentos sugerindo a implementação de suas políticas por parte dos governos.

É de se ressaltar que parte das reivindicações foram atendidas à medida que a América Latina deu sinais claros de sua nova posição quanto aos Estados Unidos e Cuba. Os Chefes de Estado declararam apoio à implementação de 17 resoluções da ONU que pedem o fim do embargo estadunidense a Cuba e a incorporação da ilha ao Grupo do Rio, medida que põe em rota de colisão a OEA e seus associados.

Nesse quesito é importante ressaltar as diferenças nos discursos de Bolívia e Brasil. Morales (Bolívia) defendeu a ruptura de todas as relações diplomáticas americanas com os EUA, caso seja mantido o embargo à ilha comunista. Lula, entretanto, moderou o discurso e resolveu ‘‘dar uma chance a Obama’’, entendendo que o embargo deve cessar com ‘‘prudência e democracia’’.

Estas tensões denunciam uma disputa por uma liderança regional. A Bolívia faz parte do campo bolivariano liderado por Hugo Chávez (Venezuela), cuja política busca tensionar ao máximo as relações com os Estados Unidos, enquanto o Brasil se propõe a ser o ‘‘interlocutor natural’’ da América do Sul com o mundo, como demonstram as recentes iniciativas de liderar o G-20 financeiro e propor uma nova ordem econômica mundial junto às nações mais poderosas.

O fato é que a América Latina, longe de estar unida em uma só política, percebeu que não existe saída isolada para os parecidos problemas sociais dos povos. Tal percepção ficou clara com a ovação conferida pelos movimentos sociais ao discurso de Luis Dulci durante o fechamento da Cúpula Social. Se estamos longe da almejada união dos povos latino-americanos, ao menos estamos avançando rápido no sentido da integração.

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