A eleição de Lula restituiu ao Itamaraty o poder de atuar politicamente diante do cenário político mundial. Trata-se de um órgão respeitável, composto por quadros políticos dos mais qualificados da República.
No tempo de Fernando Henrique Cardoso, a política externa brasileira foi conduzida pela área econômica do governo: Ministério da Fazenda, do Planejamento e o Banco Central. Foi a melhor forma encontrada para ‘‘economicizar’’ a nossa relação com o exterior.
O retorno do Itamaraty à cena política representa uma inflexão importante para o Brasil. Volta o desejo de potência, reprimido pelo medíocre mantra repetido por Lampreia/Lafer/FHC de que o Brasil é uma ‘‘potência média’’. Se somos essa propalada potência média, então não devemos nos envolver no G-20 – na tentativa de modificar a arquitetura da economia mundial – nem fortalecer o Mercosul, nossa comunidade de países irmãos que pretende intercambiar idéias, mercados e culturas no sentido da paz e da harmonia. Tampouco devemos buscar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU – órgão de decisão máxima sobre segurança coletiva no mundo. Devemos, sim, aderir ao projeto do hegemon, aceitar que outros definam as nossas pautas e reconhecer a nossa ‘‘medianidade’’. Deveríamos ter assumido uma postura de força contra o a Bolívia e o Equador, quando seus presidentes eleitos cumpriram suas promessas de campanha e nacionalizaram as nossa empresas, não é?
Acredito, contudo, que o Brasil não é uma ‘‘potência média’’. Somos uma grande potência e caminhamos para ser ainda mais. Estamos na liderança do G-20. Recuperamos as nossas finanças mais rápido do que outros países ditos desenvolvidos. Somos exemplo de desenvolvimento econômico com energia limpa e na defesa da paz e da democracia. Temos um Juiz brasileiro na Corte Internacional de Justiça (A.A Cançado Trindade), eleito com 163 votos na Assembléia Geral e 14 votos no Conselho de Segurança (abstenção dos EUA). Com Lula, o Brasil passou a ser ainda mais aplaudido nos foros internacionais e Obama o reconhece como interlocutor privilegiado para a América do Sul (This is my man!).
O caso Zelaya é mais uma das boas ações da República Federativa do Brasil, por meio do Itamaraty, para garantir, não o direito da força, mas a força do direito; a vontade popular expressa pelo desejo de ter Zelaya presidente até que se cumpra o seu mandato. Independentemente de ideologias, Zelaya é presidente e deve governar. Para o Brasil é isso o que interessa e é isso que se busca.
Escrito por Pedro Ribeiro