Mais um capítulo dos Bálcãs

Setembro 30, 2008

Presidente Sérvio Boris Tadic`.

A Agência Estado publicou hoje mais um capítulo da novela que promete preocupar analístas e estudiosos dos problemas dos Bálcãs. O presidente Sérvio Boris Tadic`fez uma declaração pública em defesa da divisão do território Kosovar, província sérvia auto-declarada independente em fevereiro deste ano. Atualmente Kosovo conta com o reconhecimento de 45 países, entre eles os Estados Unidos e a maioria da União Européia, mas a Sérvia, com o apoio da Rússia, pretende levar o caso à Corte Internacional de Justiça, caso o problema não seja resolvido pelo Conselho de Segurança. O território de Kosovo possui 2 milhões de habitantes, sendo 90% deles de origem albanesa.

Tadic`, que tem uma postura pró União européia promete procurar apenas meios pacíficos para a solução da controvérsia.


Separatismo na Bolívia

Setembro 28, 2008

Um artigo recentemente publicado pelo professor Demétrio Magnoli no Estadão me chamou a atenção para um problema acerca da questão boliviana que sempre me passou despercebido. Um movimento separatista liderado pelas províncias da ‘‘meia lua’’, conhecido por Movimento Nação Camba de Libertação, promete dar contornos étnicos aos graves problemas políticos existentes entre o governo central de Evo Morales e as províncias autonomistas produtoras de hidrocarbonetos, na parte oriental do país.

O pano de fundo a atual crise surgiu à época da guerra do chaco (1932-35), entre Bolívia e Paraguai, quando as elites de Santa Cruz optaram por apoiar os paraguaios, contra o governo central boliviano. Naquele tempo a palavra ‘‘camba’’ era um termo pejorativo referenciado aos índios guaranis que habitavam as terras baixas do leste boliviano. O Movimento por uma Nação Camba surgiu, de fato, ao tempo da revolução de 1952, quando os mineiros e camponeses do altiplano conquistaram seus direitos civis.

O ressurgimento do Movimento ganhou força no presente graças ao apoio estratégico das elites das províncias de Tajira, Santa Cruz, Beni e Pando no embate contra o governo de La Paz. Os Camba se consideram etnicamente compostos pela miscigenação do branco espanhol com os índios guaranis e, portanto, diferentes culturalmente dos ameríndios do altiplano, de origem aimará e quechua.

Observadores internacionais têm observado com preocupação a etnização da agenda política boliviana. Em pronunciamento de apoio a Evo Morales, o presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que a América Latina não permitirá a transformação da Bolívia nos Bálcãs.

O fato é que apesar de ter sido eleito com apoio da sua base sindical cocaleira, Morales adotou o discurso ameríndio do altiplano, o que tem contribuído para a utilização dos pretextos étnicos com fins meramente políticos, o que pode, segundo Magnoli, esfacelar a idéia de uma identidade simplesmente boliviana.


Política Externa e paradiplomacia

Setembro 28, 2008

”O conflito entre as visões passa pela existência de duas “Américas-Latina” de Esquerda: uma reformista liberal, composta por Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, e outra, reformista radical, liderada pela Venezuela e integrada, também, por Bolívia e Equador. Nota-se uma grande diferença entre essas visões políticas.

A primeira visão consiste na posição pendular dos Estados que a patrocinam, oscilando entre a defesa do desenvolvimento nacional e a inserção cooperativa no sistema econômico global, ou seja, pela defesa pontual da soberania econômica do país, sem estabelecer tal parâmetro como um princípio norteador da política externa. A segunda visão consiste na defesa da organização social dos movimentos populares para pressionar com vigor o sistema político e o Estado no sentido de reverter a concentração de renda e de poder. Os defensores dessa visão entendem, que a reforma da sociedade é de extrema urgência e precisa ser feita de maneira radicalizada, com a instrumentalização do Estado e embates ideológicos.

(…)

Daí a importância do MERCOSUL, como sonho de construção de uma verdadeira comunidade latino-americana, econômica, política e culturalmente integrada. Grandes são os desafios e as diferenças entre os membros, mas, apesar dos atritos e das contendas, a sua existência enquanto bloco econômico responsável por essa sonhada integração é inquestionável pelos seus integrantes. A recente entrada da Venezuela provou que, por distintas que sejam as visões (liberal ou radical), a centralidade do bloco, como motor da aproximação entre vizinhos que outrora se desconheciam, traz ganhos para todos.

O MERCOSUL é fruto de um processo histórico cruel para os povos da América do Sul, que sempre foram tratados como quintal de europeus e estadunidenses. É a oportunidade que têm os países da América do Sul de ter voz ativa nos espaços políticos internacionais, de reduzir suas assimetrias internas e externas e de se posicionar para uma nova inserção internacional”.

Leia a íntegra aqui.